A dor é o motivo das máscaras que me cercam desse teatro, participo da coxia onde nada é real e eu apenas sobrevivo. Suportar os arranhões soltados pela defesa da vida, não fere mais. Estou simplesmente vagando no vazio de suas mentes perturbadas, não faço parte dessa bagunça, queria desaparecer dela até a ultima gota de sangue.
O ar sufoca, as paredes desse quarto vermelho, estão marcadas, manchadas, por algo escuro que acorda lentamente. Se vai toda lágrima guardada, sufocada no travesseiro junto com sua respiração, por algum momento ela não quer sentir seus pulmões funcionando, sua mente relembra os acontecimentos trazidos pela falta de ar.
Não tem como ser suficiente quando nem mesmo você é pra si mesmo
quando não consegue se amar
quando não consegue segurar o choro
quando fica triste com as pessoas mas não deixa demonstrar
quando tenta não machucar ninguém, mas com você não é assim
quando transborda a decepção sem conseguir parar
quando se sente cega de ódio
quando se odeia até o ultimo fio de cabelo
quando nada do que você faz é suficiente pra quem está ao seu redor
quando ninguém vê o se passa com você
quando diz que está cansada, mas continua ali
quando uma música já não consegue mais acalmar seus pensamentos
quando a falta de coisas do passado te corrói
quando você sente falta de quem você era
quando já não consegue mais ver nada de bom do que um gole de bebida
quando já não se importa mais com a sua saúde
quando escrever já não te satisfaz como antes
quando se sente afogada nas suas próprias lágrimas
quando se sente deslocada mesmo pertencendo a isso
quando não consegue mais dar um passo adiante nas coisas
quando não se importa mais se machucar
quando a dor do corpo já não é tão dolorida
quando se consegue ver um mundo melhor sem você
quando a dor ir embora, a mascara cai.
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